Saturday, 5 March 2016

A NOITE



Vagorosa, a noite asulagou-nos
pelerinha errante
inesgotávele, de cote chuçando no serám
rolando-o polo Atlántico em diante
envergonhando as nuvens até fazê-las enrubescer
a noite botou-se, mais uma vez
encol de todos nós

A noite
carregou de chumbo as nossas pálpebras
arrousou-nos por rueiros velhos
labirínticos
lambeu-nos c'o seu bafo húmido e frio
atereceu as nossas entranhas, enegreceu os nossos pensamentos
tal é o seu arnaxe

À noite
eu
acovilhei-me no meu tobo
tremendo de inquedanzas
e ela, sem piedade
descochou-se
e amosou-me
as suas joias

Acorado, o meu folguejo multiplicou-se
com tesom
por dez, por cento, por milheiros
por infinito
na tristura eterna da noite de Alba




Sunday, 28 February 2016

VOU PRÀ MATALOTA

Vou prà matalota
vou alô porque é emocionante ...
Espero que compreendas
e nom me largues da mao ...


Tuesday, 9 February 2016

CALMA É A IAUGA




EU:
Calma é-la iauga que cativa os meus medos
olhando pra mim a cair coma hũa folha.
Brutal ela foi
embora hũa decisom tam simples ...

Ele-qando haverei ser ceive?


TU:
Podes pechá-los os olhos
pro nom há ilusõs.
Terma dos teus coutos
e olha pró rio a secar


EU:
Agora vejo o sol a sumir
Agora vejo as escolhas que fixeche
Agora sento a voz outa, atrás, a chamare por mim
AGHORA VEJO O SOL






Monday, 5 October 2015

BÁGOAS NA CHOIVA

Eu tenho visto cousas que vós-outros nom creriades:

Dornas de ataque a arderem ao largo de Oriom ... 

Eu vim raios-c lostregarem na mourém 
perto do Portom de Tanauser ...

Todos esses momentos ham-se perder no tempo ...

... como bágoas na choiva.

É tempo de morrer.



Roi Bê




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E antes de findar, hei-vos esgalhar tódolos dedos, abofé: o meiminho, o seu vizinho, o do meio, o furabolos e mai-lo escachapiolhos.
E despois hei-me cravar umha chavelha na mao, pra termar da morte, e antes de ceivar umha pomba branca na mourém da choiva haveredes escoitar as minhas derradeiras verbas. E elas haverám ecoar muitas noites nas vossas abôvadas, até que um dia gente virá d’Oriom e d’além do Portom de Tanauser, que haverám arrecadá-las, e haverám-vos pescudar e rifar por as terdes agochado. E cecais um de vós fique que seja quem de lembrá-las, de borborinhar aterecido na choiva da noite, «eu vim raios-c lostregarem na mourém», «eu vim raios-c lostregarem na mourém», «eu vim raios-c lostregarem na mourém» … um tolo!

Antes de findar, hei-vos esgalhar tódolos dedos, abofé: o meiminho, o seu vizinho, o do meio, o furabolos e mai-lo escachapiolhos.

Antes de findar, hei-vos esgalhar tódolos dedos, abofé: o meiminho, o seu vizinho, o do meio, o furabolos e mai-lo escachapiolhos.  

Antes de findar, hei-vos esgalhar tódolos dedos, abofé: o meiminho, o seu vizinho, o do meio, o furabolos e mai-lo escachapiolhos.



Antes de findar, hei-vos esgalhar tódolos dedos, abofé: o meiminho, o seu vizinho, o do meio, o furabolos e mai-lo escachapiolhos.